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ARTIGOS

Homilia no Domingo de Ramos da Paixão do Senhor C 2016

1. Ao longo desta Quaresma, fomos construindo, semana a semana, a “Cruz da Misericórdia”, tocando assim, de perto, a Carne sofredora de Cristo, nos que passam fome e sede, nos desnudados e desabrigados, nos prisioneiros da sua fragilidade física ou moral, e também nos que partem antes de nós e esperam o bálsamo de uma última carícia. “É precisamente tocando, no miserável, a carne de Jesus crucificado, que podemos receber, como graça, a consciência de sermos também nós pobres mendigos” [1]”diante de um Deus, rico em misericórdia!

Foram os pobres e sós, os esquecidos e descartados, os “sem eira nem beira”, precisamente os privilegiados de Jesus, os primeiros de quem Jesus Se aproximou e aqueles com quem intimamente Se identificou. São esses também os primeiros destinatários da Sua misericórdia. E justamente por esta preferência «escandalosa» de Jesus, pelo facto de Jesus dar mais importância à misericórdia que ao sacrifício, pela sua atitude de maior atenção ao sofrimento do que ao pecado, Jesus viria a despertar a incompreensão e a oposição dos judeus, a tal ponto, que O levam à morte e morte de Cruz.

2. A Cruz de Jesus é, para nós, a expressão máxima da misericórdia divina. No caminho da Cruz, nada há, da parte de Jesus, que seja desprovido de compaixão. Tudo n’Ele fala de misericórdia (cf. MV 8): na Cruz, Jesus resiste à violência dos poderosos com a mansidão do coração; na Cruz, Jesus responde ao erro humano, com a correção fraterna do amigo; na Cruz, Jesus reage à injúria, com a oferta do perdão; na Cruz, Jesus contrapõe à vingança fria, o calor da consolação; na Cruz, Jesus suporta a fraqueza alheia com a paciência infinita do amor. Esta é, por isso, a história de uma paixão, em que a impiedade dos homens é redimida radicalmente pelo dom espiritual da misericórdia divina, que tem o seu rosto mais belo no rosto desfigurado de Jesus Crucificado.

3. Queridos irmãos e irmãs: na medida em que nos conformarmos com os sentimentos deste Cristo, que padece e se compadece, paciente e compassivo, manso, humilde e misericordioso, também nós seremos transformados por Ele e nos tornaremos, à Sua imagem, «misericordiosos como o Pai» (Lc.6,36).

Por isso, é-nos de grande utilidade, especialmente nestes dias, ler e fazer girar toda a nossa vida, à volta da Cruz, mesmo se a sua simples exposição em lugar público parece incomodar. A Cruz recordar-nos-á constantemente que, por um lado, existe o sofrimento do irmão a clamar por nós, mas que, por outro, também nós “fomos curados pelas Suas chagas” (Is 53,5; cf. 1 Pe 2,24).

Crer no crucificado significa acreditar que o Amor está presente no mundo e que é mais poderoso do que o ódio e a violência, mais poderoso do que qualquer mal, em que possam estar envolvidos os seres humanos. «Crer neste amor significa acreditar na Sua Misericórdia» (JOÃO PAULO II, D.M., 7)[2] e praticá-la, todos os dias e em todas as horas, com a mesma alegria (Rom.12,8) de sempre. «Felizes os misericordiosos» (Mt.5,7)!


[1] PAPA FRANCISCO, Mensagem da Quaresma 2016.
[2] W. KASPER, A misericórdia, 2015, p. 104.






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