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ARTIGOS

O ser humano como ser silencioso

“O Cristão de amanhã será um místico, alguém que experimentou alguma coisa, ou não será nada” (Karl Rahner).


Diante do mistério do homem e frente o mistério de Deus, a atitude primordial é a contemplação, a reverência e o silêncio. Silêncio esse que se transmuta em Palavra (logos). Toda revelação bíblica como expressão do diálogo de amor de Deus a seu povo está “grávido” de silêncio. Os profetas gritam por Deus, perguntam e clamam, mas nesse mundo a voz do homem que O invoca, não é respondida, antes acontece o contrário, Deus só se manifesta para aqueles que como Elias descobrem no silêncio a dimensão eterna que responde e dignifica o transitório, o diálogo com Deus torna-se sempre gerador de silêncio que autotranspõe-se. Na tradição bíblica e de um modo particular no livro de Jó, o silêncio de Deus é sinônimo de abandono, inexistência ou ausência total de Deus. Ao invocar o Senhor na angústia o homem pede orientação, mas não entende que no mesmo silêncio o Senhor o acompanha (Cf.: Ez 39,23), porém a tragédia dolorosa e universal ao homem é a experiência de distanciamento de Deus “sem motivo” que é expresso com profundidade no salmo 28: “A ti, Iahweh, eu clamo, rocha minha, não me seja surdo; que eu não seja, frente ao teu silêncio, como os que descem à cova”.

Nesse mesmo raciocínio, o livro de Jó nos relata uma angustiante distância de Deus frente à dor do inocente, não se sabe o porquê do silêncio de Deus. No centro do seu livro não está o sofrimento, mas o silêncio de Deus e a espera da Sua justiça (ou Palavra). Até mesmo o Filho amado experimentou tal realidade: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonastes?” (Mt 27, 46). No entanto a confiança no pacto de amor o faz entregar-se livremente. Deste contexto extraímos a seguinte constatação: “a Palavra de Deus é melhor do que seu silêncio”, mas é aqui que reside a tensão dialética entre silêncio e palavra, ou seja, na resposta ou no silêncio, Deus é presença. Rabindranath Tagore ajuda-nos a meditar sobre o silêncio enquanto presença:


Se não falas,

Encherei meu coração com teu silêncio

E o guardarei comigo.

E quieto esperarei,

Como a noite em seu desvelo estrelado,

Com a cabeça pacientemente inclinada.


A manhã virá sem dúvida

E a sombra se desvanecerá.


Tua voz há de derramar-se

Por todo o céu

Em arroios de outro.

E tuas palavras voarão

Cantando

De cada um de meus ninhos.

E tuas melodias desabrocharão em flores

Por minhas profusas ramarias.


Consequentemente, o grande enigma do silêncio conduz ao grande enigma do mistério que habita em Deus como força atrativa, Ele se distancia do homem para chamá-lo ao interior de um mistério muito maior, onde nesta realidade caminhamos diariamente entre coisas visíveis e invisíveis, mas não colhemos a totalidade de nenhuma destas coisas até que o nosso olhar esteja direcionado holisticamente ao infinito Deus, de onde tudo deriva. Nossa palavra cala frente o mistério que somos, e ainda mais quando descobrimos com o profeta Elias, o Deus que é puro silêncio misterioso (Cf. 1Rs 19,9-1).


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