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ARTIGOS

ALCANÇADOS PELO MISTÉRIO...

 

Palestra para o Seminário-Congresso da VRC, Aparecida, 8 de abril 2015.

Como já foi sinalizado ontem à tarde, nós desejamos, neste seminário-Congresso da VRC, não apenas falar da

atitude profética e do processo mistagógico na VRC mas na medida do impossível com mais de 2000

participantes, vivenciar junt@s algo deste processo mistagógico e desta atitude profética que no fundo são

duas facetas inseparáveis da mesma busca: uma busca por mais interioridade que nos projeta para novos

campos de missão.

 

testando o texto


O número de consagrad@s aqui presentes, que superou todas as expectativas e fez capotar várias vezes os

preparativos do evento, em si já é um grito profético! VRC, o que você veio procurar em Aparecida,

arrastando tanta gente? Desejo de turismo religioso, atração da Mãe Moreninha Aparecida? Ou foi o ano de

VRC e o Papa Francisco que mexeram conosco? Ou ainda a continuação, um dos frutos do “Seminário da

loucura”¹ de três anos atrás? Como vamos vivenciar e ressignificar este encontro sem cair no

showbusiness?Que marcos proféticos ele vai deixar nos nossos corações e em nossa história de CRB?

Antes do grito profético, o processo mistagógico! “Processo mistagógico” talvez seja entre nós um conceito

meio novo e misterioso! Convém que seja misterioso, faz parte do tal de processo: “Todas as coisas são

mistério!” O que não quer dizer problema que nos encara e que exige ser resolvido, mas convite a abraçar de

coração pensante e mente orante, para realmente começar a compreender! O problema a gente resolve ou não,

o mistério a gente acolhe e adentra, e nunca termina de adentrar!

O tema da mistagogia aflorou no “Seminário da loucura”1, nas reflexões tecidas naqueles dias, especialmente

por P. Palácio e por mim2, mas ainda de um modo muito discreto. Chegou a hora de retomá-lo,

pedagogicamente, no percurso que nos é oferecido, pois se trata de um percurso e não de um curso! Hoje

vamos percorrer a trilha: “Do mistério para a mistagogia”.


O que esta em jogo neste momento histórico, nesta conjuntura atual, não é a sobrevivência da minha vocação,

ou da minha congregação, ou da VRC institucional. É o grito profético e o processo mistagógico que somos

chamad@s a passar para frente, a respeito do sentido da vida! Nada mais nada menos do que o sentido da

vida: da vida e da morte, do amor e da dor, do passado, do presente e do amanhã nosso, da Igreja, do planeta,

das mulheres, das crianças e jovens, dos homens de hoje!


Nós estamos passando por uma crise, já falamos demais a respeito dela! O que urge descobrir é si a VRC vale

a pena, continua valendo a pena... Não estou brincando com as palavras, ela vale a pena quando?Porque

somente respondendo a esta pergunta, ela irá contribuir para a espiritualidade da qual tod@s tem sede, dentro

ou fora das instituições: QUE SENTIDO TEM A VIDA? O que queremos vivenciar e testemunhar é que,

olhada com os olhos de Jesus e do evangelho, vivida na entrega do amor, a vida vale a pena! Nisso consiste a

busca espiritual, ou se quiserem a inteligência espiritual: ir em busca do sentido da vida. Não são a morte e

dor que tem a última palavra, mas a vida, a esperança, as novas relações de solidariedade e de amor de

cuidado entre nós, com Deus e com o planeta! Se for assim então vamos penar sorrindo, pois temos valores

em mão!


Eis, portanto o convite a mergulhar no profundo, o que é bem diferente da proposta de felicidade superficial

da pós-modernidade: técnicas para relaxar, perfumes, massagens, cores e cristais para curar, aumentar o

conforto, sentir-se outra pessoa! Nuvem virtual para decolar, estratégias para suportar o marido

desinteressado, os filhos imperativos, ou no nosso caso a comunidade com suas picuinhas e a missão tão

exigente! E finalmente belos funerais virtuais queimando nossa conta no Yahoo!

Serei incisiva e irei direto ao alvo: você, na VRC faz a experiência de Deus, do Deus de Jesus? Você se

deixa alcançar por esta experiência?Se eu acreditar que a VRC é um lugar teologal, isso quer dizer: nela se faz


1 Seminário da VRC, Itaici, fevereiro 2012.


2 Convergência, julho-agosto 2012.


a experiência do evangelho e do Deus de Jesus Cristo. Sim, fazemos esta experiência... Então como podemos,

além de agradecer, tomar uma atitude profética e passar isso para frente?


Não, não faço este experiência! Por quê? Culpa dos outros, das estruturas, do autoritarismo, da obediência e

do dinheiro... Ou porque não estou focado, focada? Porque de repente ou há muito tempo, não é isso que eu

coloco no centro das minhas escolhas? Sei que fazer a experiência de Deus é dom gratuito e não temos

“direito” só por sermos bonzinh@s ou comportad@s, mas sei também que ela supõe nossa abertura e

colaboração... Supõe que a gente se deixe alcançar! Entrar no mistério nem sempre consiste em sentir a

presença de Deus, mas também e muitas vezes sentir sua ausência, seus apelos no grito e no rosto sofredor da

outra!


Não se trata de desanimar ou dar o fora, concluindo que a viagem não valia a pena, que erramos a rota dos

santuários ou deixamos passar sinais de trânsito! E sim de reler a VRC a partir de dentro, para ressignifica-la!

Há espaço aqui para uma verdadeira grande conversa que se torne conversão! O que sustenta o núcleo

identitário da VRC, nossa identidade de mulheres e homens consagrados que vivem em comunidades de

discípulos e discípulas missionários é este foco: deixo-me alcançar, nesta forma original de viver a vida

cristã, pela cotidiana experiência de Jesus e dos valores do evangelho?O verdadeiro fracasso da VRC é

quando ela perde esta dimensão e, portanto sua razão de ser... e não quando as vocações são poucas!

A VRC tal como a vivenciamos no dia a dia ainda é mística? Peço perdão por usar esta palavra e não vou

afinar o conceito... Entrar em controvérsias... simplesmente lembrar o que dizia Karl Rahner no tempo do

concílio e que hoje muitos retomam, a título de exemplo o padre Pagola.


Há alguns anos, o grande teólogo alemão Karl Rahner atrevia-se a afirmar que o principal e mais urgente

problema da Igreja dos nossos tempos é a sua “mediocridade espiritual”. Estas eram as suas palavras: o

verdadeiro problema da Igreja é “continuar com uma resignação e um tédio cada vez maior pelos

caminhos habituais de uma mediocridade espiritual”.


... A sociedade moderna apostou pelo “exterior”. Tudo nos convida a viver a partir de fora. Vivemos quase

sempre na superfície da vida. Estamos esquecendo o que é saborear a vida desde dentro. Para ser humana, à

nossa vida falta uma dimensão essencial: a interioridade.


É triste observar que tampouco nas comunidades cristãs sabemos cuidar e promover a vida interior. Muitos

não sabem o que é o silêncio do coração, não se ensina a viver a fé a partir de dentro. Privados da

experiência interior, sobrevivemos esquecendo a nossa alma: escutando palavras com os ouvidos e

pronunciando orações com os lábios, enquanto o nosso coração está ausente.


Na Igreja fala-se muito de Deus, mas onde e quando escutam os crentes a presença silenciosa de Deus no mais

fundo do coração? Onde e quando acolhemos o Espírito do Ressuscitado no nosso interior? Quando vivemos

em comunhão com o Mistério de Deus desde dentro?


Acolher o Espírito de Deus quer dizer deixar de falar só com um Deus a quem quase sempre colocamos

longe e fora de nós, e aprender a escutá-lo no silêncio do coração. Deixar de pensar em Deus apenas com a

cabeça, e aprender a percebê-Lo no mais íntimo do nosso ser.


Esta experiência interior de Deus, real e concreta, transforma a nossa fé. A nós surpreende como se pôde viver

sem a descobrir antes. Agora sabe por que é possível acreditar inclusive numa cultura secularizada. Agora

conhece uma alegria interior nova e diferente. Parece-me muito difícil manter por muito tempo a fé em Deus

no meio da agitação e frivolidade da vida moderna, sem conhecer, mesmo que seja de forma humilde e

simples, alguma experiência interior do Mistério de Deus. ” José Antônio Pagola, teólogo.


Vamos a uma “detox” para voltar a descobrir, em nosso cotidiano, no nosso respiro cotidiano, a presença do

Mistério na dor, no amor, na oração, nas relações! Caso contrário, é lamentável, o filme veio em 3D e

insistimos em passá-lo em duas dimensões, achatando tudo! Perdemos as melhores emoções e não nos

sentirmos parte do que acontece, nem envolvidos na trama, somos meros espectadores e não atores, agentes...

Somente abrindo-nos ao mistério de um Deus que se revela a partir de dentro e que nos chama a sair de nós

para atender aos irmãos, vamos ser capazes de resolver as grandes perguntas existenciais, que são quatro!

Quais as quatro perguntas existenciais que precisamos responder?


1. Quem sou eu, pessoalmente e em versão comunitária: quem somos nós. É a questão da identidade e

também da vocação e da missão.

.

2. De onde viemos?Aqui vem a questão da história pessoal, da cultura, das origens, mas também a

história e o carisma da congregação. Conhecer e assumir nossas raízes, a dinâmica que nos fez e

continua nos fazendo até hoje.


3. Para onde vamos? Plantas têm raízes, pássaros têm asas, o ser humano tem pés... É terra que anda!

Qual o nosso projeto, nosso horizonte, nossas metas, nossas prioridades? O que desejamos alcançar a

curto, médio e longo prazo?


4. O que vamos comer no almoço?Aterrissem, somos seres humanos concretos, com ouvidos, boca,

mãos e pés! Sou assim nos comunicamos!


Trata-se então de uma mística de olhos abertos, como a descreve o teólogo João Batista Metz e aqui entre nós

o Benjamim Buelta. Somente depois de nos situar neste contexto profundo e realista, existencial, vital,

poderemos falar do como que tanto nos preocupa.


Já Nietsche escrevia: “Quem sabe o porquê suporta qualquer como.” Não é convite a relativizar ou a dizer que

você tem que aguentar de tudo, mas uma frase que chama atenção sobre o fato que definitivamente a

motivação é a energia essencial do projeto. Mas gostaria de parafrasear Nietsche e de dizer um pouco

diferente: “Quem sabe o porquê inventa um novo como!”.


Deixar-nos alcançar pelo mistério significa: Experimentar Deus, experimentar o Reino de Deus. Que

pedagogia Jesus usou para introduzir seus discípulos e discípulas ao mistério de Deus, do Reino, do itinerário

pascal? Abro o evangelho e vejo que é o caminho das parábolas. O caminho da palavra que se faz

parábola. Estamos diante da mesma raiz linguística: palavra e parábola... palavra humilde, concreta que se faz

comparação, metáfora, símbolo, narrativa para nos oferece uma porta de entrada no mistério.

Isso como tão bem lembra o místico Rumi, 3 supõe uma coisa: que meu ouvido que escuta a palavra se

transforme, se deixe transformar em olho que começa a ver diferente, o que faz a palavra chegar ao coração.


- Escutou?


- Sim estou vendo!


O primeiro pontapé da experiência profética esta aí: escutar para se tornar vidente! Ser um místico de olhos

abertos para se tornar profeta!


Então vamos entrar na dança circular formada pela Palavra, o símbolo, a parábola, o sacramento... todas estas

coisas são portas de entrada no mistério de Deus, de Jesus, do Reino.


Diante desta Palavra-parábola fico boquiaberta, ponho a mão diante da boca e fico calada, não falo,

simplesmente olho... Eis o sentido do mistério...é grande o mistério!Como na liturgia eucarística: é grande o

mistério da fé!


3 Rumi, místico Sufi, 1207-1273.


Entremos pela porta do evangelho, escutemos a primeira catequese do Reino: pequenas parábolas através das

quais “Jesus falava-lhes a Palavra” como o diz Marcos que apesar de quase nunca relatar o que Jesus falava,

abre uma exceção para as parábolas. Mas retomarei estas parábolas do Reino em Mt onde já temos o esboço

de uma catequese articulada. Primeira cartilha da Igreja para iniciar seus filhos aos mistérios!As sete

parábolas do reino em Mt 13 formam uma pequena confissão de fé que pode ser rezado no caminho da vida,

nas horas de desânimo, de dúvida, de questionamentos existenciais:

Semente-joio-mostarda-fermento-tesouro-pérola-rede.

Sete palavras- imagens que mudam minha visão de mim, dos outros e das outras, da Igreja, da história, da

VRC, do mundo...


Ladainha da minha fé vacilante e forte ao mesmo tempo, mantra ao longo das minhas itinerâncias: eu sei o

porquê da viagem! Semente-joio-mostarda-fermento-tesouro-pérola-rede: sete portas para adentrar no

mistério.


Estas imagens não falam de sucesso, de facilidade ou de grandeza! Falam de vida, de algo vital, de uma

energia vital extraordinária no ordinário, mais forte que limites e obstáculos. Elas falam de uma história, ou

melhor, de um processo germinal de fecundidade, sempre a partir do que experimento em minha casa ou na

comunidade cristã, nas estradas da vida e da missão:dores, alegrias e esperança do dia-a-dia.

E já que nossos ouvidos são convidados s se transformar em olhos, peço que vocês olhem aqui...Não vou

passar em data show, você vai ter que olhar o pequeno, o humilde, o corriqueiro e redescobrir seu mistério.

(pé e pão de milho... retomar o refrão).


Andrew Sullivan, fundador do blog “The Dish” e um dos primeiros a dominar, há 15 anos, o caminho da

informação via internet, declarou o mês passada: “Basta, quero voltar ao mundo real!” e desmantelou seu site

jornalístico! Vamos voltar ao real, vamos voltar a terra! Vamos perder tempo contemplando um pé e um pão

de milho!


É o profano, tantas vezes profanado, que no fundo é sagrado e fala de Deus, do evangelho e do ser humano.

As parábolas não apontam apenas para um símbolo material, mas para a atuação humana e a energia divina

que fazem as transformações acontecer. Permitam-me ficar com a quarta parábola, a do meio, e aprofunda-la

de um modo específico, pois penso que ela tem tudo a ver com a VRC. Com o pão que saboreamos escutando

Zé Vicente.


“O reino de Deus, o projeto já em ação de Deus é como uma mulher que esconde um punhado de fermento

em três medidas de farinha até que tudo seja levantado!” Mt 13, 33.


Uns dizem que se trata apenas de uma versão feminina e doméstica da parábola do semeador. Gostaria de ir

um pouco além, pois esta parábola tem vida própria e vai nos proporcionar algumas descobertas a mais.

Primeiro o fato da mulher, também a mulher ser imagem do reino de Deus, agente de transformação no

mundo. Esta mulher que poderíamos chamar de Sofia é ativa, dedicada. Ela levanta cedo, pega o pedaço de

fermento, de levedura que guarda num pano, num buraco da parede da casa e quando todos ainda dormem,

começa seu trabalho. Os filhos hão de acordar com o cheiro do pão assando... A mulher-esperança esconde a

vida dentro do cotidiano da sua casa. E acontece o milagre da sinergia entre a força do fermento, o trabalho da

mulher e a energia divina criativa e recreativa.


Segundo, e nisso sim, reencontramos os traços da parábola do semeador, o fermento é escondido na massa

como a semente na terra, e ambos têm uma força prodigiosa de transformação. Mas há uma diferença, o

fermento na bíblia é um símbolo ambíguo, a final vem de um processo de corrupção, “Atenção com o

fermento dos fariseus e de Herodes” Mc 8,15. Como a nos lembrar de que as categorias de puro e impuro

estão doravante fora de validade. E que há situações de dor, de sofrimento, de corrupção e de morte que geram

vida, que são necessárias para que a vida cresça e vença. A mulher bem o sabe, na sua fecundidade materna,

entrelaçada de dores e de amor de cuidado.


Tem mais um elemento: se o marido acordasse agora e chegasse perto e fosse nordestino, diria: “O que há

com você mulher, endoidou?” Por quê? Por que a mulher esta a preparar pão, pasme, para 150 pessoas... três

medidas de farinhas! O reino de Deus tem a força secreta da levedura que transforma, mas a quantidade de

pão inquieta! Para quem tanto pão? De quem é o pão que preparamos... É pão para nossa casa somente, ou

para os pobres transeuntes e peregrinos que por nossa porta passarem, a pedir: “Tem algumas coisa para

comer?” Lc 24,41. E se a VRC fosse também essa parábola doméstica, esta casa de porta aberta? VRC você

amassa o pão para quem? Que pão é este que você tem para oferecer? Pão das lágrimas, pão da ociosidade,

pão alegria e da partilha, pão da esperança...


Agora vamos alargar nossa reflexão sobre o mistério do reino de Deus, do seu “Projeto- já- em- ação”

retomando o texto de Emaus. Vamos ter a surpresa de redescobri-lo com um novo olhar, em sintonia com as

parábolas do Reino, ele mesmo como parábola do Reino! Aqui também a palavra é semeada e acolhida na

estrada e faz arder o coração! Mas é na intimidade da casa que os gestos falam mais alto, que os olhos se

abrem e que o pão é partilhado! Que a misteriosa presença do Ressuscitado se faz ausência para melhor ser

encontrado na narrativa seguinte, na pergunta do pobre: “Vocês tem aqui alguma coisa para comer?“ Que

Deus é este que se faz Palavra, se faz parábola, se faz pão e se faz pobre?


“Senhor Jesus, dá-nos olhos pascais para acolher a lição da tua vida despojada, escondida, doada, rompida,

que se faz pão partido para um povo quebrado!

E se não for possível dar a todos olhos pascais, dá-nos pelo menos mãos pascais de mulheres e homens que

põem a mão na massa e amassam o pão!

Faz de nossas vidas parábolas pascais de alegria e esperança para teu povo a partir dor resgate da nossa

própria experiência do teu mistério pascal. Alcança-nos com o mistério da tua vida e da energia do teu amor!”

Terminemos com uma nova parábola, uma parábola para o ano da VRC.

“Numa paróquia de um dos nossos grandes centros urbanos, morreu um senhor bem conhecido da

comunidade. Era bom cristão, ativo nas pastorais, ainda jovem e cheio de vida. Pediram ao padre que

celebrasse uma missa de corpo presente. O padre, diante da dor da família, contou na hora da homilia um fato

surpreendente:

Em 1949, ano em que aquele senhor nasceu, alguns arqueólogos descobriram no Egito a tumba de um antigo

farão. Junto ao corpo encontraram um cântaro cheio de sementes de trigo, símbolo da fé deste povo numa vida

após a morte. As sementes estavam em perfeito estado de conservação apesar de ter três mil anos de idade! As

condições ambientais dentro do túmulo, hermeticamente fechado, lacrado, explicavam isso. Curiosos, os

cientistas levaram algumas sementes e as plantaram. Recebendo terra, água e sol, despertaram do seu longo

sono, cresceram e deram espigas cheias de grãos, como se fossem da safra anterior. Bela imagem da esperança

que não morre! Este fato muito consolou a família e foi comentado pelos paroquianos.

Mas o mais belo e surpreendente aconteceu no dia seguinte, de manhã cedo. Uma humilde senhora, já de

idade, bateu na porta da casa paroquial e pediu para falar com o padre. Ela trazia um pequeno embrulho que

colocou com cuidado infinito na mão dele: “Padre, eu nasci no Oriente Médio e sempre faço meu pão em

casa, com esse tipo de semente que o senhor falou ontem, é o pão kumat”. Atônito, o padre abriu o embrulho:

uma fatia, ainda quente, de um pão de sabor e consistência diferente... o pão kumat, o pão da esperança.”

E si a VRC fosse essa mulher, irmã de sangue da Sofia de Mt 13,33 que não se contenta em ouvir a palavra

de vida e de esperança, anunciada pela Igreja, mas que se empenha em preparar, com a receita

cuidadosamente guardada na sua tradição, o pão da esperança para sustentar a vida da comunidade?

Que esta reflexão orante sobre a experiência e o Mistério de Deus em nossas vidas não seja como uma

explicação intelectual que quer forçar a compreensão, mas como um dom que germina. Senhor explica-nos a

parábola da VRC!Explica-nos todas as tuas parábolas e sobretudo permita que sejamos pequenas

parábolas da mulher que prepara o pão, o pão da esperança para a humanidade pobre de sentido, de fé, de

amor e de esperança!Amem, aleluia!






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